segunda-feira, 2 de julho de 2012


MPE pedirá impugnação dos políticos que estão nas listas

Blog do Jean Carlos

O procurador regional eleitoral Paulo Sérgio Rocha confirmou que o Ministério Público Eleitoral pedirá a impugnação do registro de todos os políticos listados pelas Cortes de Contas do Estado e da União e também condenados pelo Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Eleitoral e Tribunal Regional Federal. Essa será a primeira eleição na qual a lei da Ficha Limpa estará validada.

O procurador, que representa o MPE, ressaltou ainda que a legislação também enquadra as condenações das Câmaras Municipais e dos Conselhos Federais, caso de profissionais que foram condenados nesses colegiados. Paulo Sérgio Rocha explicou que está de posse de muitas listas, mas ainda faltam outras.

O procurador lamentou que alguns políticos, mesmo condenados pelos Tribunais de Contas, ainda fizeram convenções para homologarem as candidaturas. "O que temos recomendado é que esses candidatos que estão nas listas não coloquem seus  nomes para serem homologados porque, salvo alguns casos onde foram colocados de forma equivocada, iremos pedir a impugnação de todos que estão nessas listagens", explicou o procurador.

Ele ressaltou ainda que lançar um candidato fichado gera um fator complicador para o partido, porque tem o gasto da convenção e depois não terá o político registrado como candidato.

Falta de recíproco de muitos Portalegrenses




Ontem, li em um blog aqui de Portalegre uma pergunta, o colunista do próprio blog,que é ASSESSOR  de comunicação aqui de portalegre,ele fez essa pergunta!

Por que todas as fotos tiradas pelo partido Democrata, as pessoas estavam de costa?
Minha resposta, para este médio sábio da língua portuguesa!
Não meu caro amigo, foi fotografado por trás das pessoas, todas as fotos que foram tiradas.
Como que uma pessoa zomba da forma que uma fotografia foi tirada, isso é marcação, ou mesmo falta de inteligência mesmo?
Meu caro amigo jogue limpo, vamos publicar matéria que ajuda no desenvolvimento da cidade.
Vamos fazer de portalegre, uma cidade bem divulgada, você  é uma pessoa que se diz trabalhar para que portalegre seja uma cidade bem divulgada, mas, pelo visto nunca mais te vi trabalhando pegando coleta de lixo reciclável, o que aconteceu?
Mas, é como muitos portalegrense, acha que tem um bom emprego, e esquece o que fazia antes.
Não estou falando isso, não é por partido não, é por que eu quero uma portalegre melhor, mas, tem muita gente que quer brigar por políticas, não sou assim não, tenho o meu trabalho e foco no meu trabalho, a penas, quero uma portalegre viva, não uma portalegre parada como uma tartaruga no tempo.


Universidade vira canteiro de obras e do saber em Natal


Sara Vasconcelos 
Valdir Julião 
repórteres

A cada semestre, estudantes e professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte se deparam com mudanças. E não é só os novos desafios da formação acadêmica. As transformações estão por todo lado. Basta olhar ao redor e pronto: há sempre uma obra iniciando, um laboratório em reforma, salas de aulas sendo ampliadas. São 84 obras em andamento, além de outras 28, previstas no orçamento 2012, que "ainda estão no papel". Deste total, cinco estão em fase de licitação , 15 em conclusão de projeto executivo e o restante ainda na elaboração do projeto arquitetônico - fase inicial. Entre eles,o Instituto Internacional de Física e o Instituto de Medicina Tropical. Para estas, a UFRN conta no orçamento 2012 com cerca de R$ 100 milhões, oriundos de diversas fontes.

A maior parte dentro do Programa de Expansão e Reestruturação das Universidades Federais (Reuni), que responde pela maior parte dos recursos, e dentro de outros programas como o CTInfra e Finep, do MC&T, além da Lei Orçamentária Anual, de projetos descentralizados com captação de recursos por projetos de pesquisa, via Funpec, e emendas parlamentares.
Adriano AbreuÂngela Paiva: 255 novos doutores contratados em um anoÂngela Paiva: 255 novos doutores contratados em um ano

Estes investimentos eram requisitados pelas universidades há muito tempo, explica a reitora da UFRN Ângela Paiva. O que permitiu, nos últimos oito anos, a reestruturação das universidades. Não foram apenas aquelas instituições que criaram novos cursos e vagas e, por isso cresceram que receberam os recursos, mas as universidades tiveram a chance de crescer, se reestruturar, recuperar e criar novas estruturas, o que, segundo Ângela, não ocorria há bastante tempo. "As universidades federais do Brasil são as propulsoras do desenvolvimento, as principais responsáveis pela produção na área de pesquisa e inovação", destaca a reitora.

A partir do Reuni foi dado o aporte para infraestrutura acadêmica, com a construção, reforma e ampliação de salas de aulas, laboratórios, bibliotecas, restaurantes e residências universitárias espalhados em todos os campi em Natal e no interior. "O Reuni permitiu essa grande expansão em condições que nunca tivemos antes, com contratação de professores, técnicos administrativos, obras de laboratórios, residências e bibliotecas", disse a reitora.

Os investimentos tiveram maior concentração nas áreas de ensino e pesquisa. O reforço nas estruturas laboratoriais visa dar suporte ao ensino e pesquisa em todas as áreas acadêmicas. Hoje há em construção e projetos um grande número de laboratórios, que demandam tanto recursos do Reuni, como do CT-Infra/Finep - mais de R$ 20 milhões -, além dos que são contemplado pelos esforços dos professores junto à agencias de fomento (maior parte dos R$ 13,5 milhões, via Funpec). 

O maior número de obras e investimentos se concentra entre os cursos da área de tecnologia. De acordo com Ângela Paiva isso ocorre devido a "natureza dos cursos", que exige espaços e equipamentos com tecnologia mais sofisticada. "Apesar da capilaridade de projetos em todos os centros, em termos de orçamento o centro de tecnologia é muito mais caro, assim como são também os da área de saúde, porque demandam laboratórios mais refinados, ampliados e em número maior para as práticas, o dia a dia da formação destes alunos e de pesquisas na área".

Nos últimos anos, os cursos da UFRN que mais cresceram em quantidade de vagas na graduação e pós-graduação foram nas áreas de humanas e exatas.

Entre as grandes obras estão a construção dos laboratórios das engenharias, mais conhecido como "minhocão", devido ao formato curvilíneo da estrutura que abrigará todos os laboratórios dos cinco novos cursos de engenharia, um investimento de cerca de R$ 11 milhões, que devem ser entregues ainda este ano. 

Na área da saúde, os laboratórios de pesquisa clínica e de maternidade assistida, na Maternidade Escola Januário Cicco, e as clínicas de fonoaudiologia que foram inauguradas e já são consideradas referência em ensino no Brasil. É previsto para os próximos cinco anos, a reestruturação dos hospitais universitários.

UFRN terá R$ 100 milhões para custeio da 'máquina'

A UFRN vai contar, excetuando-se os recursos para a folha de pessoal, com cerca de R$ 100,7 milhões para o custeio de sua máquina, conforme proposta de distribuição orçamentária já aprovada pelo Conselho Superior de Administração (Consad) para 2012. Um incremento de 27,98% em relação aos recursos para manutenção da estrutura da universidade do ano anterior. O pró-reitor de Planejamento da UFRN, professor João Emanuel Evangelista, explica que em custeio, recursos de investimento e folha de pagamento, o orçamento vai para R$ 1 bilhão por ano.

A UFRN tem hoje três grandes eixos do custeio. A matriz da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andife) é a principal delas, com mais de R$ 55 milhões. Esta matriz propõe como critério para a distribuição dos recursos às universidades a previsão orçamentária para a manutenção e a produtividade. "Ou seja, assegura-se que todas as universidades terão uma base e há um diferencial de repasse de recursos em função de algumas variáveis", explica o pró-reitor.

No quesito produtividade, observa Emanoel Evangelista, são considerados alguns pontos como a capacidade e eficiência na formação e aprovação dos alunos e o tempo médio que o aluno deve cursar. "Universidades que apresentam índices favoráveis nestes fatores recebem mais recursos", afirma. O número de cursos e unidades no interior, quantidade de cursos noturnos, e a boa avaliação dos cursos de pós-graduação também são avaliados para a destinação de recursos.

A manutenção da UFRN conta ainda com recursos do governo federal exclusivamente para assistência estudantil, que este ano foi quase R$ 14 milhões: "Isso significa que com o Reuni, o governo federal percebeu que a expansão de vagas se faz acompanhar com a democratização do acesso, pessoas mais pobres passaram a ter oportunidade de ingressar na universidade". Tais políticas buscam oferecer condições para que o aluno que ingressou na instituição tenha permanência adequada.

O Programa Nacional de Auxílio ao Estudante (Pnae) garante recursos para assegurar o restaurante e residências universitárias, auxílio moradia, auxílio transporte, atendimento médico e odontológico. "Estamos introduzindo recursos para alunos com problemas visuais adquirirem os óculos", acrescentou Evangelista.

E outros cerca de R$ 27 milhões do programa Reuni esse ano, afora pouco mais de R$ 4 milhões para expansão, que são recursos extras para custeio de estruturas que surgiram depois do Reuni, como o Instituto Internacional de Física, Metrópole Digital, instituto do Cérebro e Instituto de Medicina Tropical. "O MEC aporta esse recursos para que esses projetos estratégicos tenham o mínimo de recursos para que sejam implantados e funcionem adequadamente".

Doutores impulsionam pesquisa

A qualificação e aumento do quadro de pessoal também faz parte do processo de reestruturação.  À medida que cresce o número de doutores que ingressaram na UFRN, há necessidade e oportunidade de mais vagas e cursos de pós-graduação, que implica em "demandar mais espaço, mais laboratório, mais equipamentos, mais atualização", explica a reitora da UFRN Ângela Paiva. Somente no último ano, foram incorporados por meio de concurso ou processo de titulação, 255 novos doutores totalizando mais de 1,5 mil doutores no quadro efetivo da universidade. A melhor qualificação de pessoal resultou na composição de 41 novos grupos de pesquisa.

"Com mais doutores percebemos um crescimento que demonstra um fortalecimento na área de pesquisa e de pós-graduação, que cresce paralelamente. Isso gera a formação de novos doutores, que serão absorvidos nesta ou em outra instituição do ensino público", analisa Ângela Paiva. Hoje existem 84 cursos de pós-graduação, sendo 30 de doutorado e 54 de mestrado. Dois cursos de doutorados tem conceito 6 - doutorado em ciência e engenharia de materiais e o doutorado em física.

Além dos 41 novos grupos de pesquisa, houve um número significativo de oito novos pedidos de registro patentes, produtos ou processos que em breve serão disponibilizados. O número é semelhante ao de solicitações nos últimos cinco anos. O crescimento se deu ainda no quadro de vagas. Para o vestibular 2013, a UFRN abriu cerca de 300 novas vagas de graduação. O Metrópole Digital, este ano, também vai ofertar, além dos cursos técnicos, cursos de graduação, como bacharelado em tecnologia da informação com 240 vagas.

Obras:

Restaurantes universitários - No campus central, haverá a construção de um segundo refeitório, próximo ao centro de tecnologia. O atual foi ampliado, há dois anos, com recursos do Reuni, mas já se encontra superdimensionado. Com a ampliação passará a atender a demanda de 3 mil refeições por dia. No interior, os refeitórios da Escola de Jundiaí e do Hospital de Santa Cruz também passa por ampliação para atender os estudantes.

Metrópole Digital - À entrada do campus universitário, terá quatro pavimentos, numa área de mais de 3 mil metros quadrados. A obra está orçada em R$ 11.797,88 e promete transformar o Estado no Pólo de Tecnologia Digital do Brasil. Este ano, além dos cursos técnicos será ofertado o bacharelado em tecnologia da informação, com 240 vagas.

Clínicas de fonoaudiologia - Inauguradas há cerca de três meses, já são consideradas referência em ensino no Brasil, por dispor de tecnologia de ponta. Um grupo de doutores que pretendem criar o mestrado profissional. A obra custou cerca de R$ 1 milhão, financiados pelo Reuni. E outros R$ 310 mil foram investidos somente na aquisição de equipamentos. São salas de audiologia, terapia fonoaudiológica, supervisão, consultório médico e toda estrutura de clínica-escola, em uma área de aproximadamente 350m².

Minhocão - É um dos maiores investimentos da UFRN, cerca de R$ 11 milhões. O prédio dos laboratórios das engenharias, ganhou a alcunha devido ao formato curvilíneo e abrigará todos os laboratórios dos cinco novos cursos de engenharias - de comunicação, meio ambiente, de petróleo, mecatrônica e engenharia biomédica. Os laboratórios darão suporte também a outros cursos. A obra é prevista para ser concluída ainda este ano.

Teatro - Está em fase de licitação para aquisição de equipamentos, orçados em R$3 milhões, para só então ser inaugurado. Inspirado no teatro de Salvador, o teatro de 1,2 mil metros quadrados irá consumir cerca de R$ 1,8 milhão. Projetado para ser utilizado em vários formatos (arena, semi-arena, palco frontal, auditório), tem capacidade de receber até 800 pessoas.

Complexo Poliesportivo - A UFRN conseguiu a autorização a liberação de R$ 5,5 milhões do Ministério do Esporte para execução da primeira etapa do Projeto de Modernização da Infraestrutura do Parque Poliesportivo. O projeto consiste na construção de uma moderna pista de atletismo, com mais de 400 metros, e na recuperação do sistema elétrico do Parque Poliesportivo, que servirá centro de treinamento na Copa 2014.

Hospitais universitários - Os hospitais irão receber R$ 6,6 milhões, em investimentos do Ministério da Saúde. Os recursos fazem parte do Programa de Expansão e Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais  e devem ser empregados na aquisição de equipamentos, reformas e na ampliação do atendimento à população.

Candidatos vão às ruas a partir da próxima sexta



Os candidatos da eleição 2012 passam a contar, a partir de seis de julho (próximo sábado), com a principal aliada entre as ferramentas que influenciam o eleitor e, conseqüentemente, o voto. A propaganda eleitoral é regida no Brasil pela lei das eleições (9.504/97) e essa mesma legislação impõe regras e define permissões no rol do que é permitido e o que é proibido. Ao ser deflagrado o processo, passa a ser  amplamente liberada a utilização de mecanismos, como carros de som e autofalantes, cartazes, pinturas, campanha [paga] veiculada em jornais e revistas, inserções na internet, entre outras. O advogado e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Erick Pereira, destacou que toda  propaganda confeccionada para empunhar bandeiras democráticas, sem ofensas, sem injúrias, sem calúnia e sem difamação é considerada salutar e, portanto, tem o aval da Justiça Eleitoral.

Ele observou ainda a importância de se atentar para a veracidade das informações prestadas, para que o objeto de divulgação seja lícito. "Fora isso tudo é permitido, inclusive a ideia dos diretórios nacionais poderem participar dos municipais", assinalou. A feitura de propaganda eleitoral antes da data permitida pode impor ao responsável pela divulgação e o beneficiário - se comprovado o prévio conhecimento - à multa no valor de R$ 5 mil a R$ 25 mil ou equivalente ao custo da propaganda, se este for maior. A partir de 48 horas antes do dia da eleição e até 24 horas depois, não se pode mais fazer propaganda política via rádio e televisão (a gratuita, é claro, porque a paga não é permitida nunca), comícios ou reuniões públicas. 

A propaganda na internet não se inclui nesta vedação, desde que gratuita e no sítio eleitoral, blog, sítio interativo ou social, ou outros meios eletrônicos de comunicação do candidato, ou no sítio do partido ou coligação. Os debates poderão ser realizados até às 7 horas do dia 05/10/2012. Os carros de som e comitês poderão funcionar até às 22h do dia 06 outubro. Erick Pereira enfatizou que os mais recorrentes casos de infração constatados nas últimas campanhas têm sido a pintura em bem de uso comum ou próximo ao mesmo, como é o caso de bares, restaurantes, mercearias, entre outras. "É preciso evitar esse tipo de conduta", alertou. Não é permitido, por exemplo, realizar qualquer tipo de propaganda em  próximo a igrejas, fóruns, entre outros. "Toda cautela é pouco. Tem que usar dentro dos limites da razoabilidade", completou. No caso das punições impostas pela Justiça Eleitoral, Erick Pereira ressaltou que raramente estas atingem níveis como a ponto de impugnar registros de candidaturas. Mas é preciso ficar atento. "É muito difícil, precisa restar caracterizado um abuso muito forte porque propaganda só gera multa, mas dependendo da insistência desse abuso pode gerar sim sanções mais severas", ponderou.

Prestações de contas serão pela internet 

Os gastos declarados com ações de divulgação, pelos oito candidatos na eleição municipal de 2008, em Natal, foram de R$ 905.581,77, ou seja, menos de um milhão. A contabilidade está disposta nos anexos do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com informações prestadas pelos próprios então postulantes. Em 2008, a capital contou com os postulantes Micarla de Sousa (PV), Fátima Bezerra (PT), Wober Júnior (PPS), Dário Barbosa (PSTU), Sandro Pimentel (PSOL), Miguel Mossoró (PTC), Pedro Quithé (PSL) e Joanilson de Paula Rego (PSDC). As duas primeiras apresentaram as mais elevadas prestações de contas. Mas mesmo assim, o montante é considerado acanhado frente ao aparato que requer as nuances de comícios, meios de comunicação, marketing e tudo que envolve as ferramentas da comunicação.

O Tribunal Superior Eleitoral implantou, desde a eleição passada,  um sistema de prestação de contas no qual os candidatos devem informar as doações recebidas e os gastos de campanha diretamente pela internet. Com a informatização do sistema, a entrega das contas foi simplificada e ficou parecida com a forma utilizada pela Receita Federal para declaração do imposto de renda. Com isso, para prestar contas, basta aos responsáveis preencherem os dados solicitados no programa e encaminha-los à Justiça Eleitoral no site do TSE, obtendo um recibo de entrega com número de controle, data e hora do recebimento.

Com a inovação, o TSE coloca à disposição, em seu site, a divulgação da prestação de contas dos candidatos, mostrando detalhadamente os recursos recebidos para financiamento de campanha e os gastos realizados. Em 2008, as rubricas destinadas a divulgação das candidaturas foram, no caso de Natal, as que demandaram um maior volume de recursos.

domingo, 1 de julho de 2012

Convenções em Portalegre terminam em festas os homens das mãos limpas todos juntos


Portalegre viveu mais um dia de festa. A festa da Democracia. Foi grande a movimentação de pessoas que se destinavam ao centro da cidade para participar das convenções realizadas nesse sábado à tarde.
No mercado público, a convenção do PP e PMDB, enquanto no Club ACEP, a festa dosDemocratas, uma grande convenção, segundo constatamos ao visitar o local logo após a abertura dos trabalhos.
Ao final, foram indicados os nomes de José Augusto para candidato a prefeito e José de Antônio para candidato a vice-prefeito e também a indicação dos candidatos a vereadores.
No início da noite, uma verdadeira multidão no centro da cidade. Pessoas vindas de diversas localidades, que se aglomeravam nas proximidades do Center Bar no centro da cidade.
Segundo informações, a coligação PP e PMDB, numa verdadeira festa, saíram em passeata pelas ruas comemorando a realização do evento. Quer ver algumas fotos clique aqui...

Programa do Leite encolhe e abre lacunas no RN



Andrielle Mendes e Ricardo Araújo - repórteres

Para avaliar o real impacto do Programa do Leite na estrutura produtiva das usinas de beneficiamento e na renda dos produtores rurais, o Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome (MDS) percorreu dez estados em 2009 e constatou que a renda do pequeno produtor, no Rio Grande do Norte, cairia pela metade, se o programa fosse suspenso. Se realizada em 2012, a pesquisa, que ainda não foi atualizada, chegaria a um percentual ainda maior, assegura o diretor financeiro do Sindicato dos Produtores de Leite do RN (Sinproleite), Lirani Dantas. A combinação entre estiagem, alta dos insumos e atrasos no pagamento do programa reduziu a distribuição de leite em quase 60% no estado. Hoje, produtores e usinas, que deveriam entregar 155 mil litros de leite diários, só conseguem entregar 70 mil - redução que faz diferença na mesa das 145 mil famílias beneficiadas e no bolso dos 2.064 produtores, entre agricultores familiares, médios e grandes produtores, que fornecem leite para o governo. O futuro não é animador. As usinas locais adquiriram, entre janeiro e março, um volume de leite 15,2% inferior ao adquirido no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta foi a segunda maior redução em todo o país. Os números do próximo trimestre, adianta o Sindileite, entidade que representa o setor, serão ainda piores. 

Programa declina e faz despencar a renda do produtor

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) pretende para fazer um novo diagnóstico do Programa do Leite nos estados e publicar os resultados em 2013. Quando retornar ao Rio Grande do Norte, o MDS constatará que o programa - implantado na década de 90 no estado e levado para  outros nove em 2003 - não foi suspenso, mas suas falhas reduziram a renda dos pequenos produtores em até 80%, como no caso de João Francisco Nascimento, 42 anos, agricultor familiar, cuja renda mensal caiu de R$ 950 para R$ 200 nos últimos oito anos, em decorrência dos constantes atrasos do pagamento, da defasagem dos preços e alta dos insumos. 

O nível de dependência  dos produtores e das usinas em relação ao programa é alto no RN. Cerca de 77% do leite beneficiado diariamente pelas usinas é destinado ao programa, que também absorve 25% de todo o leite produzido, segundo dados do IBGE. Em Pernambuco, onde o mesmo programa é desenvolvido, o percentual de leite adquirido pelo governo não ultrapassa 5%, de acordo com o Sinproleite.

Francisco, que mora nono município de Riachuelo, com a mulher, a sogra e três filhos, só consegue manter a família porque quando não está no curral trabalha como mecânico e motorista. "Fazer o quê? A gente tem que arrumar uma alternativa", justifica. Apesar do sobrenome, João Batista Felizardo, 50 anos, não teve a mesma sorte. O agricultor familiar viu a produção cair 90% nos últimos anos, a renda despencar 75%, mas não faz bico, porque "não sabe fazer outra coisa além de produzir leite". 

As semelhanças entre os dois vão além dos nomes de santos que carregam. Batista e Francisco moram no mesmo assentamento e ganharam vacas para produzir leite e 'alimentar' a cooperativa Lagoa Nova, única que beneficia leite em assentamento da reforma agrária no estado. Das famílias que receberam vacas leiteiras, menos da metade ainda tem. A maioria vendeu ou viu o rebanho morrer de fome e sede. "Meu vizinho tinha 15. Hoje, não tem nenhuma", exemplifica Francisco, que vendeu 15 para quitar dívidas antigas. 
Júnior SantosNo Estado, o programa absorve 25 por cento de todo o leite produzidoNo Estado, o programa absorve 25 por cento de todo o leite produzido

A estiagem reduziu o rebanho, mas as falhas do Programa do Leite - que ajudou a estruturar a bacia leiteira potiguar - também tem sua parcela de culpa. Desde que o programa foi criado, em 1994, o RN registrou sempre crescimento maior que o verificado no Nordeste e no Brasil, em termos da quantidade de leite produzido, número de vacas ordenhadas e valor da produção. Na última década, desde que o pagamento começou a atrasar, os números ou cresceram com menor intensidade ou regrediram. Enquanto a quantidade de leite de vaca produzido subiu 25% no Nordeste e 20,9% no Brasil entre 2006 e 2010, no Rio Grande do Norte recuou 2,5%, segundo dados da Pesquisa Pecuária Municipal, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  

A produção diária de leite no estado caiu de 600 mil litros para 400 mil no último ano, segundo o Sinproleite e o Sindileite, entidades que representam o setor, e o número de produtores que forneciam leite para o governo recuou 43,1%  em 2012, em comparação com o ano anterior.  O número de usinas, que subiu 1.200% desde que o programa foi criado no estado, também voltou a cair. Hoje, das 26 usinas que forneciam leite para o governo, três fecharam as portas. Oitenta porcento do restante teve que reduzir a oferta. A única cooperativa do estado nas mãos de pronafianos - público-alvo do programa no país - também ameaça parar. 

Em 1998, a cooperativa Lagoa Nova, em Riachuelo, beneficiava cerca de 7 mil litros diários. Hoje, são 1,6 mil - um recuo de 77%. A cooperativa, que ainda aguarda o pagamento de três quinzenas de 2010 do governo do estado, já não consegue pagar os dez funcionários. Os salários estão atrasados há três meses.  Responsável pelo progresso da bacia leiteira, o programa hoje é um dos culpados por seu retrocesso. "Mas o governo não está preocupado com quem produz o leite. Está preocupado apenas com quem recebe", desabafa Edson Barbosa, presidente da cooperativa.

Setor está desprotegido, diz Sindicato

Diretor financeiro do Sinproleite, Lirani Dantas critica a falta de um programa de apoio ao produto rural. "Os programas sociais dão proteção à população, mas não há um que dê proteção ao produtor", reclama. 

Um dos programas sociais a que se refere é o Bolsa Família, de transferência de renda, cujo valor destinado a famílias beneficiadas no Rio Grande do Norte avançou 174,8%, passando de R$ 162,9 milhões, em 2005, para R$ 447,7 milhões, em 2011. 

O valor  repassado apenas entre janeiro e maio de 2012 já é 24,8% maior que o repassado durante todo o ano de 2005. O número de famílias beneficiadas no RN também subiu, passando de 240 mil para 357 mil, segundo dados da Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas). 

"O produtor de leite que depende do programa se encontra hoje numa situação de muita vulnerabilidade. Se esse programa for extinto, a crise se estabelece tanto entre os produtores rurais quanto entre as usinas", alerta Francisco Fransualdo Azevedo, professor adjunto do curso de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que pesquisa a pecuária leiteira no Seridó, um dos maiores produtores do estado. 

O MDS também se mostrou preocupado com isso em 2009. "Os fornecedores do programa são, em sua grande maioria, indivíduos pobres, que vivem rotineiramente endividados e não dispõem de capital de giro sequer para cobrir os custos de produção de uma semana extra", diz o estudo divulgado em 2009. 

Produtores querem ajustes no volume e no preço

O Sindicato dos Produtores de Leite no Rio Grande do Norte (Sinproleite) vai propor ao governo do estado, principal comprador de leite no Rio Grande do Norte, que reduza o volume contratado (atualmente em 155 mil litros diários) e eleve o preço do litro de leite para R$ 1,10. "Se o governo passar a comprar 100 mil litros de leite por dia e a pagar R$ 1,10, como pedimos, atenderá o pleito dos produtores e garantirá, ao mesmo tempo, o direito dos beneficiários", afirma Marcelo Passos, presidente do sindicato. 

Lirani Dantas, diretor financeiro do Sinproleite, destaca que o Ceará, estado maior que o RN em extensão territorial, compra apenas 80 mil litros. "Nós queremos um programa do nosso tamanho", reivindica. "Há outros programas para atender a população. O governo deveria entender o nosso lado", completa. Estudo divulgado recentemente pelo Sebrae mostrou que enquanto o custo de insumos e serviços para o setor subiu  540,41%  entre 1995 e 2010, para o produtor, o preço do litro de leite subiu 142,42% no mesmo período. 

Elevar o preço, entretanto, não bastaria. O governo deveria, na ótica de Francisco Fransualdo Azevedo, professor adjunto do curso de Geografia da UFRN, desenvolver uma política que garantisse demanda, mas que desse autonomia ao produtor rural, principalmente ao pequeno. O caminho, segundo ele, seria incentivar o produtor, através do crédito, da capacitação e da economia solidária, garantindo mercado justo e acesso a tecnologias sociais.

Linha do Tempo

A distribuição gratuita de leite  para a população mais carente foi posta em prática por José Sarney, enquanto presidente da República, entre os anos de 1985 e 1990. Não atingia todos os municípios brasileiros, mas já era vista como uma forma de diminuir a miséria nas cidades mais pobres e reduzir os índices de mortalidade infantil, apesar de ter sido encarada como "manobra política". 

Em âmbito nacional, o programa chegou a ser interrompido em 1991, no primeiro ano de mandato do  presidente Fernando Collor de Melo. Entretanto, a iniciativa foi mantida em algumas cidades brasileiras, financiada pelo Ministério da Saúde, como forma de complementação da alimentação e de enfrentamento à desnutrição, que vitimava, principalmente, os recém-nascidos nordestinos. 

A distribuição também chegou a ser paralisada pela Prefeitura de Natal por falta de pagamento aos fornecedores. O Executivo Municipal alegava que o Ministério da Saúde atrasava os repasses. Problemas envolvendo atrasos de pagamento e preços no têm sido, há anos, alvos de queixas dos pecuaristas e donos de usinas. Alguns problemas, enfrentados há duas décadas, permanecem, mas o programa também é associado a avanços socioeconômicos. Confira: 

Abril de 1994

 O recém-eleito governador Garibaldi Alves Filho reativa paulatinamente  o Programa do Leite para combater a desnutrição. 

Setembro de 1995

O Governo do Estado expande o Programa para 100 municípios. Hoje, o Estado atende 28 cidades e a União 40. Pelo Programa, 22.710 litros de leite já são entregues diariamente.

Junho de 1996

A Prefeitura do Natal anuncia verbas de R$ 3 milhões para reativar imediatamente o Programa em Natal. Em âmbito estadual, empresários do setor defendem o aumento do valor pago pelo litro. 

Outubro de 1997

O Programa do Leite passa a atender 123 municípios, totalizando uma distribuição diária de 67.335 litros. Mensalmente, o Governo do Estado entrega 2.034,550 litros, ao custo mensal de R$ 1,4 milhão. Por dia, o Estado investe cerca de R$ 47 mil no Programa do Leite.

Julho de 1998

A mortalidade infantil registra  queda de cerca de 60% desde 1995. O Programa do Leite chega a 32 escolas de Natal, a um custo de R$ 330 mil para o Estado, e passa a cobrir todo o Rio Grande do Norte. O Programa gerou 30 mil empregos desde 1955. 

Agosto de 1999

A distribuição de leite já é 40 vezes maior que a realizada em 1995.  

Junho de 2000

Produtores rurais elevam renda com a venda do laticínio. A renda média dos pequenos, médios e grandes pecuaristas cadastrados no Programa do Leite é de R$ 2.546,00 mensais. Desde o trabalhador que cuida do rebanho ou da ordenha, foram criados 6.620 postos de trabalho nas propriedades.

Janeiro de 2001

Comitiva do Governo do Estado vai a Rio do Fogo para averiguar a regularidade da distribuição do leite. O governador Garibaldi Filho foi surpreendido por informações de que o leite não estava mais sendo distribuído.

Março de 2002

O número de crianças mortas, para cada mil nascidos vivos, registra queda de 88 para 17.

Abril de 2003

O deputado Elias Fernandes (PMDB) desistiu de compor, como suplente, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar possíveis irregularidades na execução do Programa.

Abril de 2004

O deputado Nelter Queiroz (PMDB) denuncia irregularidade no Programa em Jucurutu. O prefeito da cidade, Luciano Lopes, deixou de distribuir leite às crianças e idosos cadastrados no programa gerenciado pela Sethas em quatro dias da Semana Santa.

Julho de 2005

O subsecretário da Sethas, Fernando Freitas, admite que o Programa tem falhas pontuais. O presidente da Anorc, José Bezerra Júnior, levanta suspeitas sobre a qualidade do leite distribuído às famílias carentes.

Outubro de 2006

O deputado José Dias (PMDB) diz, na Assembléia Legislativa, que o Programa está com "a morte anunciada" e que pode ser extinto se Wilma de Faria (PSB) for reeleita. "Não há dúvida de que existe a intenção de acabar com o Programa", afirmou.

Setembro de 2007

O deputado José Adécio (DEM) sugere que o governo estadual implante o cartão eletrônico para que os 136 mil beneficiários do Programa recebam diariamente, inclusive em supermercados, um litro de leite tipo "C". A medida acabaria, segundo o deputado, com os atrasos no repasse dos recursos para os produtores de leite do Estado, apesar de os laticínios receberem o pagamento em dia por parte do governo. 

Abril de 2008

O presidente da Anorc, José Bezerra Júnior, volta a criticar o Programa do Governo do Estado, agora pelo baixo preço pago ao produtor. 

Maio de 2009 

A maioria dos produtores de leite do RN não observa regras de higiene na ordenha e de segurança no transporte do produto. As informações são de um estudo gerido pelo Sebrae, através do professor Fernando Viana Nobre. Segundo o relatório, 26% dos produtores realizam "algumas práticas higiênicas". Outros 38,3% não praticam nenhuma medida e 35,7% fazem higienização insuficiente.

Maio de 2010

O secretário estadual do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas), Gercino Saraiva, afirma que a não votação do projeto que amplia a margem de remanejamento do OGE pelos parlamentares ameaça parar o Programa do Leite. A Sethas acumulava dívidas com os fornecedores e alguns dos produtores pararam os trabalhos por falta de recursos para dar continuidade à produção.

Janeiro de 2011

O Sindleite/RN realiza uma reunião a portas fechadas na Fiern para discutir a situação do Programa. Eles afirmavam viver uma situação de penúria diante dos atrasos no pagamento deixados pela gestão passada.

Janeiro de 2012

A pecuária leiteira sofre com os atrasos no pagamento do programa. "Chegamos a pensar que 2011 seria um ano extraordinário para a pecuária leiteira, em função do bom inverno, mas nos enganamos. Os atrasos no pagamento levaram a uma queda de quase 50% na produção. O programa é a base da cadeia leiteira. Se ele vai mal, toda a cadeia vai mal", afirma Marcos Teixeira, presidente da Anorc.

Bate-papo
»Aldemir Freire - economista e chefe do IBGE/RN

O senhor disse que o programa do leite tem grande peso na bacia leiteira e, sobretudo, na sobrevivência dos laticínios do Estado. Qual seria a saída para reduzir esta dependência?

Seria preciso fazer com que os laticínios (que representam uma das pontas da indústria leiteira potiguar) expandissem sua capacidade para atender ao mercado consumidor local, sobretudo com os derivados de leite que possuem maior valor agregado, como o leite UHT e o leite em  pó, que vem de fora do estado. Em suma, nossa indústria leiteira não é capaz de atender à totalidade do nosso mercado. É necessário a adoção de políticas de melhoramento da assistência técnica aos produtores de leite, de articulação da cadeia produtiva (produtores, governo, assistência técnica, laticínios, canais de distribuição), de sanidade animal, de melhoramento genético do rebanho, de tributação adequada para fortalecer a produção local. Ou seja, é preciso que a política pública para o setor vá além (mas sem desprezar) o programa de distribuição de leite. 

Se há tantas falhas, como dizem que há, por que os produtores não fortalecem novos mercados? 

Acredito que a desarticulação da cadeia produtiva do leite, combinada com a existência de conflitos de interesses entre produtores e laticínios (que poderiam ser superados com uma maior articulação), e a falta de políticas públicas que procurem ir além da simples distribuição do leite pasteurizado, podem ser os principais entraves ao maior desenvolvimento da indústria leiteira no RN. 

O que motivou a queda na produção do RN? Ela foi revertida no ano seguinte (2011)? 

Ainda não temos os dados da produção de leite do RN de 2011. Mas os números do IBGE demonstram que em 2011 os laticínios do estado adquiriram cerca de 8,5% menos leite do que em 2010. Para se ter uma ideia, os mesmos dados do IBGE mostram que em 2011 a aquisição de leite pelos laticínios do Nordeste cresceu 10,4%. É possível que os  constantes atrasos no pagamento aos produtores de leite tenham levado muitos deles a abandonar as atividades, sobretudo no contexto de aumento de custos de produção no setor. Desde que o programa foi implantado no estado em meados da década de 90 que os custos de produção de leite tem subido além dos preços do produto. Em um contexto em que a produtividade do setor não cresceu muito, as margens de rentabilidade da produção ficaram mais apertadas. Ora, com margens mais apertadas e atrasos no pagamento, a situação dos produtores não permite um aumento de produção. Aliás, não permitiu nem a manutenção dos patamares.

Qual a projeção para 2012?

Para 2012, os números do primeiro trimestre demonstram que a queda na aquisição de leite por parte dos laticínios do RN continua. No primeiro trimestre, os laticínios locais adquiriram cerca de 15% menos que no mesmo período de 2011.

Controle sobre beneficiados é falho

A implementação do Programa do Leite no Rio Grande do Norte trouxe consigo não somente a melhoria dos aspectos econômicos dos pequenos, médios e grandes pecuaristas. A principal razão da distribuição gratuita do produto é a contribuição para a melhoria da qualidade alimentar dos mais pobres, sejam aqueles que vivem na capital ou nos mais recônditos vilarejos do interior do estado. 

Júnior SantosWilton do Nascimento, no município de Riachuelo (RN): leite é fonte de renda e nutrição para a famíliaWilton do Nascimento, no município de Riachuelo (RN): leite é fonte de renda e nutrição para a família
Ao longo dos anos, em paralelo ao desenvolvimento socioeconômico do país, milhares de crianças deixaram de morrer e famílias passaram a ter um importante complemento na alimentação, com a consumação extra de lactose e cálcio. Seja na esfera econômica ou social, nem tudo é "flor", porém, quando o assunto é o Programa do Leite.

Uma das dificuldades, em Natal, é o controle sobre quem recebe o benefício. De acordo com a coordenadora do Posto de Distribuição Rotary Club, nas Quintas, Maria Aparecida Silva, muitas famílias que recebem o produto não se encaixam no perfil traçado pelo Governo do Estado que é o de baixa renda, com idosos ou crianças desnutridas, deficientes, gestantes ou nutrizes. "Muitos deficientes atendidos aqui poderiam trabalhar, mas afirmam que não tem condições. Além disso, muitos tem aposentadoria e condições de subsistência", comentou Maria Aparecida Silva. O posto de distribuição de leite no qual ela trabalha foi instalados nas Quintas há quase 20 anos. 

"Hoje está bem melhor, mas ainda precisa mudar muita coisa. No passado, a situação era muito complicada", relembrou Aparecida. As complicações relatadas pela servidora dizem respeito às brigas entre famílias para receber um litro de leite a mais ou pela comercialização do laticínio, muito comum entre as famílias mais carentes do bairro até cerca de cinco anos atrás. Atualmente, o comércio paralelo do leite está em baixa. Entretanto, a distribuição do produto nas manhãs de quarta-feira e sexta-feira, no Centro de Educação Infantil Maria do Socorro Lima é sempre acompanhada de muita espera e até confusão entre os beneficiados.

Passava das 7h30min quando o caminhão frigorífico com aproximadamente mil litros de leite chegou ao local de entrega às famílias. A fila já se estendia por quase cinquenta metros. Debaixo de sol forte e desprotegidos de uma possível chuva, idosos, crianças e adultos esperavam impacientemente. Somente neste posto de distribuição, 452 famílias são atendidas. Elas deveriam receber, no total, seis litros de leite por semana. Hoje em dia, porém, como consequência da seca que reduziu o potencial de produção dos rebanhos, recebem somente quatro: dois na quarta-feira e mais dois na sexta-feira. A maioria dos beneficiados são cadastrados como crianças (200), depois de idosos (102), seguido de deficientes (90), gestantes e nutrizes (50) e, por fim, desnutridos (10).

Num outro ponto da cidade, a situação é um pouco diferente, a começar pela quantidade de leite recebido pelas famílias cadastradas. De acordo como Maria Aparecida Silva, que também coordena o posto de distribuição da Associação dos Moradores do Bom Pastor, são entregues sete litros por família semanalmente. Questionada sobre a diferença entre um posto e outro, ela explica que o leite entregue no posto do Rotary é de uma empresa diferente da Associação dos Moradores. Além disso, existem cerca de 200 famílias cadastradas para receber o laticínio no local, que é melhor estruturado do que o outro posto.

Para o aposentado Domiciano Paulino de Souza, beneficiado há cerca de dois anos, o recebimento do leite é uma "dádiva". Tem uma ruma (sic) de gente pra se alimentar e é um custo a menos. Geralmente a gente faz papa, come com cuscuz ou bebe naturalmente", disse.

Produção sustentável terá mais recursos disponíveis


Os agricultores brasileiros terão, a partir de amanhã (2), maior disponibilidade de crédito para aderir a práticas mais sustentáveis de produção. Pelo Plano Safra 2013, anunciado na quinta-feira pela presidenta Dilma Rousseff, as linhas de crédito do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que incentiva a adoção de boas práticas no campo, terá R$ 3,4 bilhões em recursos para financiamento.

A presidenta Dilma Rousseff disse que a agricultura brasileira mostrou, em números, que é possível compatibilizar crescimento com preservação ambiental, mesmo sendo considerada uma "potência" na produção de alimentos. Segundo ela, a produção do setor cresceu em volume e produtividade, garantindo segurança alimentar, em um cenário de redução de desmatamento.

"Temos hoje, ao contrário dos países desenvolvidos, 60% dos biomas intactos, apesar de sermos a maior potencial agrícola do mundo. Conseguimos crescer na nossa agricultura em 180% e, ao mesmo tempo, ter um crescimento de apenas 32% na área ocupada", disse Dilma.
fábio rodrigues pozzebom/abrDilma Rousseff: crescimento com preservação ambiental é possívelDilma Rousseff: crescimento com preservação ambiental é possível

O Programa ABC foi instituído em 2010, para estimular a adoção de práticas como o plantio direto na palha, que dispensa o revolvimento do solo e evita a erosão com a semeadura direta na palha da cultura anterior; recuperação de pastos degradados, transformando terras desgastadas em áreas produtivas para a produção de alimentos, fibras, carne e florestas; integração lavoura-pecuária-floresta, com alternância de pastagem com agricultura e floresta em uma mesma área; e plantio de florestas comerciais, como eucalipto e pinus.

Outra prática destacada como meta do programa é a fixação biológica de nitrogênio, transformando-o em matéria orgânica para as culturas, o que permite a redução do custo de produção e melhora a fertilidade do solo.

A linha de crédito para viabilizar essas atividades foi lançada neste ano e as operações de tomada do empréstimo encerraram-se sexta-feira. Até quinta, no Banco do Brasil, foram firmados mais 3 mil contratos com agricultores de todo o país, totalizando empréstimos de mais de R$ 1 bilhão.

A estimativa inicial do banco, segundo o diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, Clênio Severio Teribele, a estimativa inicial era operar até R$ 5,5 milhões. "Atingimos uma marca bastante significativa, com uma distribuição dos créditos em importantes áreas da agropecuária no país", disse.

Pelas regras que vigoraram até sexta, os agricultores e cooperativas têm limite de financiamento de até R$ 1 milhão por beneficiário, com taxa de juros de 5,5% ao ano e prazo de reembolso de 12 anos. A partir de amanhã, os agricultores poderão tomar mais R$ 1 milhão em empréstimos, mas com taxa de juros de 5% ao ano.

Segundo ele, estados como São Paulo, Minas Gerais, o Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás concentraram a maior demanda pelo crédito, justificada pela maior presença da atividade agrícola nessas regiões. A maior parte dos agricultores que tomaram o crédito das linhas do Programa ABC está ligada à agricultura de porte empresarial.